Infográfico

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Multidão, preenchimento de espaço… Rotina.

       

A maior parte dos que passavam tinha o aspecto de gente satisfeita consigo mesma e solidamente instala na vida. Parecia que pensavam apenas em abrir caminho por entre a multidão. Franziam o cenho e lançavam olhares para todos os lados. Se recebiam um encontrão dos que passavam mais perto, não se descompunham, mas endireitavam as roupas e se apressavam em prosseguir. Outros, e também este grupo era numeroso, moviam-se de maneira descomposta, tinham o rosto afogueado, falavam entre si e gesticulavam, como se justamente no meio da multidão incalculável que os cercava, se sentissem perfeitamente sós. Quando tinham que parar, deixavam inesperadamente de murmurar mas intensificavam sua gesticulação, e esperavam, com um sorriso ausente e forçado, que tivessem passado aqueles que Ca atrapalhavam. Quando recebiam um encontrão, cumprimentavam exageradamente aqueles de quem tinham recebido o esbarrão e pareciam extremamente confusos.

(O homem da multidão, Edgar Alan Poe.)

Os Ruídos de São Paulo

A definição física do ruído encontrada no dicionário Aurélio (1975) diz que ele é um som constituído por grande número de vibrações acústicas com relações de amplitude e fase, distribuídas ao acaso.

A principal fonte de ruídos é o trânsito da cidade. Com a intensa movimentação dos veículos na cidade, o barulho (acima do ideal) se faz presente continuamente nas principais vias da cidade.

                 
                                                         Poluição Sonora na cidade
                                                                Fonte: Novoeste

Os termos “som” e “ruído” são utilizados de diferentes maneiras, mas, normalmente, “som” é usado para as sensações prazerosas, como a música e “ruído” para descrever um som indesejável como o barulho presente no trânsito, muito frequente na cidade de São Paulo (SOUZA, 1998 apud SANTOS e MATOS, 1994 e AZEVEDO, 1994).

[…] o termo expressa uma sensação subjetiva auditiva, originada por movimento vibratório e propagada através de meios sólidos, líquidos ou gasosos, com uma velocidade diferente, segundo o meio empregado em sua propagação; psicologicamente, entendemos por ruído uma sensação auditiva desagradável (ALMEIDA, 1982, p. 16).

As consequências da exposição aos ruídos excessivos causam problemas físicos e emocionais. Esses problemas surgem a médio e longo prazo. Entre os problemas físicos causados, alguns dos principais são tensão muscular e aumento da pressão arterial, além, claro, da perda auditiva. Entre os emocionais, irritabilidade, ansiedade, excitabilidade, desconforto, medo, tensão e insônia.

O Arts & Crafts e a cidade de São Paulo

O movimento Arts & Crafts possui como características formas orgânicas, flores, pássaros e repetição. E é baseado na característica repetição, que realizaremos uma comparação em forma de metáfora com o trânsito de São Paulo, pois essas características podem ser encontradas facilmente no cotidiano.

Ao andarmos pela cidade de São Paulo, nos deparamos com uma imensidão de carros e pessoas por todos os lados, isso se repete a todo instante, com maior concentração na famosa hora do rush, onde todas as pessoas estão saindo de seus respectivos trabalhos, se direcionando as suas casas, colégios e universidades.

É nesse momento em que percebemos a padronização de carros, pessoas, os imensos estacionamentos ao ar livre e congestionamentos que se repetem por quilômetros.

[…] Uma das imagens clichê de São Paulo é aquela que mostra uma avenida qualquer da cidade tomada por carros na hora do rush. Quase que se pode ouvir o som dessa cena: buzinas a esmo, a tensão da espera no ar, resmungos particulares, uma explosão de impaciência aqui e ali. Fruto de uma combinação funesta de milhares de carros em circulação, transporte coletivo precário e um feroz individualismo, os engarrafamentos tornam-se uma das marcas distintivas da cidade (ABRAMO, 2005, p. 192).

Baseado em fatos históricos, o inchaço populacional em São Paulo deu início a partir da inauguração da estrada de ferro inglesa, a São Paulo Railwat, em 1867, que estimulou a grande entrada de imigrantes, sendo assim, ao longo de todo o século XX, o mesmo, foi acompanhado por diversas experiências de planejamento urbano, afinal, era preciso alocar toda a população de maneira eficaz, suavizando o imenso contraste dos imigrantes de outras partes do Brasil.

[…] uma explosão. Poucas palavras podem definir tão precisamente o que se passou na cidade de São Paulo a partir da inauguração da estrada de ferro inglesa, a São Paulo Railwat, em 1867, até o limiar do século XX, de nona capital do país em 1872 à condição de segunda em 1900, a cidade dos paulistanos foi marcada por um inchaço populacional sem precedentes no século XX, até torná-la a primeira cidade do país e a terceira ou quarta do mundo (MARTINS, 2005, p.62).

Todo o crescimento urbano exige uma infraestrutura, o problema do trânsito ocorre por conta do processo de produção do espaço da cidade, sendo que na época em que a urbanização se expandiu, o congestionamento era sinônimo de progresso. Porém, independente de qualquer caos e problemas urbanos, existem diversas maneiras para que essa situação seja analisada. São Paulo, como toda grande metrópole, sofre com o problema da poluição sonora. A cidade atinge diariamente nas ruas valores muito acima dos 55dB de limite estipulado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como valor inofensivo.

A Floresta de Signos

        

A floresta de signos compõe-se de uma vasta gama de símbolos quais devem ser codificados e decodificados por seus expectadores, no caso da cidade, por seus moradores. Mais do que se decodificada a cidade deve ser entendida, de uma forma diferente para cada um de seus moradores, Baudelaire considera que esse entendimento tenha certo valor espiritual, no qual podemos entender o real valor das coisas, não apenas observá-las superficialmente.

Ao interpretar os traços de seu rosto – ou como uma alegoria mística – Baudelaire diz : “uma floresta de símbolos”- dos quais se deve descobrir o sentido oculto. O conhecimento desse sentido verdadeiro, o único real das coisas que são apenas uma parte do que significam alguns privilegiados – alguns especialmente ao poeta predestinado – introduzir-se e movimentar-se com facilidade no além espiritual que banha o universo visível. (RAYMOND, 1997,p 19)

Charles Baudelaire, acredita que a cidade grande - em seus estudos, Paris - era uma grande floresta de Signos. Segundo Raymond (1997), todo o universo visível não é senão um depósito de imagens e de signos aos quais a imaginação conferirá um lugar e um valor relativos; é uma espécie de alimento que a imaginação deve digerir e transformar.

Referência Bibliográfica:
RAYMOND, Marcel. De Baudelaire ao Surrealismo . São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1997.